O dia começa. Um dia como os outros. Uma família de cinco pessoas inicia um passeio de carro. O acidente é súbito. Metal, plástico e vidro espalham-se por toda a parte. Três são mortos e dois ficam gravemente feridos. Mas o motorista embriagado que os atingiu, num camião a alta velocidade, apenas fica com ferimentos ligeiros. Porquê?

Um terrível ditador obtém controlo sobre uma nação inteira e milhões sofrem dos seus abusos. Porquê?

O médico diz, ”Tenho más notícias”, e de seguida explica cabisbaixo que você tem cancro. Porquê?

Todos os dias acontecem histórias como estas. Às vezes apenas as ouvimos por outras pessoas ou no noticiário da noite; outras vezes a história é a nossa. Uma vez recuperados do choque, não conseguimos deixar de colocar a questão mais natural do mundo: Se Deus é todo-poderoso e bom, porque razão sofremos? É difícil imaginar uma questão mais importante. E a realidade é que todos nós a colocamos mais cedo ou mais tarde.

Acontece que não há muitas respostas possíveis por onde escolher. Pense nisto: ou Deus está disposto a impedir que coisas más aconteçam mas não pode (o que significaria que Ele não é todo-poderoso); ou Deus é capaz de impedir que coisas más aconteçam mas não quer (o que significaria que Ele não é bom); ou então há uma terceira opção: Deus tanto é capaz como está disposto a fazê-lo, mas Deus é amor, o que significa que há uma linha que nem o Deus Todo-Poderoso cruza e essa linha é a nossa livre escolha.

A Bíblia ensina a terceira opção e é difícil imaginar uma resposta melhor e mais reconfortante. Resumidamente, a história humana, como contada na Bíblia, é assim:

1. ”Deus é amor” (1 João 4:16). Esta é a verdade básica e fundamental sobre quem Deus é.

2. Portanto, ”Deus criou o homem à Sua própria imagem” (Génesis 1:27). Isto é, Deus fez o ser humano com a capacidade de amar como Deus ama — pelo exercício da livre escolha.

3. E tendo sido criado com a livre escolha e, portanto, com a capacidade para amar, o ser humano ”pecou e caiu” da posição moral gloriosa da sua criação original (Romanos 3:23).

4. Mas há boas notícias: Deus está a executar um incrível plano de resgate, através do qual todos os que assim o desejem serão ”salvos pela graça… mediante a fé” (Efésios 2:8) — não pelo poder de força imposta, mas pelo poder apelativo e transformador do amor de Deus. O amor é a única forma pela qual Deus pode destruir o mal e o sofrimento e, ao mesmo tempo, preservar a nossa livre escolha e, com ela, a nossa capacidade de amar.

É isto justo?

A resposta curta ao porquê do sofrimento, é que nós e outros seres humanos—no passado e no presente—escolhemos o mal, do qual o sofrimento é o resultado. Não é justo. Não é sequer razoável. O pecado é, por definição, injusto, prejudicial e errado. É absolutamente cruel. Mas uma coisa o pecado não é: não é a vontade de Deus. Deus não quer que nós soframos. Mas Ele também não quer tornar-nos escravos ou robôs. Ser-se humano é ser livre, e ser livre significa que podemos escolher o bem ou o mal com seus respectivos resultados.

A verdade é que o amor não pode existir sem livre escolha e a livre escolha, por sua própria natureza, permite que más escolhas sejam feitas. Então, quando dizemos que se Deus fosse bom Ele nunca permitiria a alguém causar dor a outra pessoa, ou a si próprio, simplesmente não estamos a pensar de forma lógica. Na realidade, passa-se exatamente o contrário: precisamente porque Deus é bom, Ele deve permitir-nos fazer escolhas, boas e más, e viver as suas consequências. Deus sempre e apenas quer que escolhamos o bem, mas Ele não nos força. Deus nunca deseja o mal ou a dor que o acompanha. Nós sim. O sofrimento é o resultado das escolhas humanas, não de Deus. E essa é a séria realidade da liberdade.

E no entanto, Deus é tão bom que Ele não pode ficar alheio ou isolado do nosso sofrimento. Segundo a Bíblia, Ele ”compadece-se das nossas fraquezas” (Hebreus 4:15). Já que falamos da relação entre Deus e a dor humana, o profeta Isaías disse: ”Em toda a angústia deles Ele foi angustiado” (Isaías 63:9). Tão profundamente amado por Deus é cada membro da raça humana, que Jesus disse que tudo o que fazemos a favor ou contra o nosso próximo, é como se o fizéssemos a Ele (Mateus 25:41-45). Todo o sofrimento comove Deus. Ele está ciente de todas as lágrimas que derramamos, assim como da tristeza, dor ou angústia por detrás delas. O rei David cantou sobre a profunda compaixão de Deus: ”Tu contas as minhas vagueações; põe as minhas lágrimas no Teu odre. Não estão elas no Teu livro?” (Salmos 56:8). O amor é assim. Sofre com os que sofrem.

Deus Sentiu a Nossa Dor

Mas eis aqui onde a história se torna ainda mais surpreendente. Não só Deus sente à distância a nossa dor em Seu coração, como também mergulhou literalmente na nossa dor para estabelecer um definitivo meio de escape para a mesma. Jesus Cristo veio para que, ”…provasse a morte por todos.” (Hebreus 2:9). ”Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre Si… Ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades… e pelas Suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre Ele a iniquidade de nós todos.” (Isaías 53:4-6). A maior evidência do amor de Deus perante a nossa dor é que Ele compartilha dela. Ele não nos deixou a sofrer sozinhos. O que torna o Deus da Bíblia tão incrível é que Ele veio ao nosso mundo e voluntariamente experimentou o nosso sofrimento.

Seja o que for que surja diante de si, existem duas verdades imutáveis, das quais pode ter a certeza: primeiro, Deus é amor e Ele ama a si pessoalmente. E segundo, Deus acabará por corrigir todas as coisas erradas e curar as feridas que este mundo vos causou. Quando Jesus sofreu e morreu na cruz, Ele provou que Deus ama a humanidade caída e sofredora mais do que Sua própria vida e Ele garantiu que todos os que colocam sua fé n’Ele terão um futuro glorioso, completamente livre de todo o sofrimento. A promessa da Bíblia, garantida pela morte de Cristo na cruz, é para si:

”Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Apocalipse 21:4).

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